Indícios de ameaças de manipulação de resultados aumentam preocupação

UNIAO EUROPEIA

Qualquer um que procurasse influenciar o resultado das finais do World Tour ATP no mês passado teria enfrentado um pesado desafio.

O campeão Novak Djokovic embolsou mais de 2 milhões de dólares pelo seu trabalho nessa semana, incluindo um passeio na final contra Roger Federer. Somente colocar o pé em campo garantiu aos oito qualificados um prémio de participação de 155 mil dólares

Mas como a distância entre os jogadores de topo e os restantes continua a aumentar, os jogadores de topo estão preocupados sobre a susceptibilidade do desporto à viciação de resultados e outras tacticas corruptas, especialmente em níveis mais baixos de jogo.

“Eu penso que é ilegal e eu penso que arruina a reputação do nosso desporto”, disse Djokovic à USA Today Sports no mês passado. “Nós não temos qualquer espaço para isso. Mas a realidade é diferente”

Djokovic conhece essa realidade em primeira mão. Em 2006, ele foi abordado por um intermediário que lhe ofereceu 100 mil doláres para arranjar uma partida.

Quão difundido ou sério é o problema permanece por clarificar. Desde a sua formação em setembro de 2008 para policiar a corrupção, a Unidade de Integridade do Ténis (TIU) aplicou 11 sanções oficiais, cinco para a vida, incluindo uma no mês passado ao árbitro francês de 22 anos Morgan Lamri.

A secreta TIU, sedeada em Londres, não revela o seu orçamento nem irá comentar para registo sobre qualquer das suas investigações, de acordo com o porta-voz Mark Harrison.

É financiado pela Federação Internacional de Ténis, ATP, WTA e pelos Grand Slams.

Os casos da TIU envolveram figuras obscuras classificadas bem abaixo do top.100, como o tenista russo de 27 anos Andrey Kumantsov, que foi banido para a vida por apostas e viciação de resultados. Kumantsov atingiu o número 261 como o mais elevado da sua carreira e obteu ganhos de 103,856 mil doláres.

À margem das sanções oficiais, crescem indícios que os criminosos estão à procura de estrelas.

O “Courtsiding,” onde indivíduos tendem a superar o ligeiro atraso entre a ocorrência atual do evento e a sua divulgação pelas casas de apostas sentando-se junto ao campo transmitindo informações sobre a partida, resultou numa detenção no Open da Austrália do ano passado.

Este outono os nomes dos tenistas italianos Daniele Bracciali e Potito Starace —  ambos entre um grupo de cinco italianos suspensos de fazerem apostas em 200-2008 – surgiram numa investigação de manipulação de resultados no futebol.

E numa história publicada no mês passado no jornal Guardian na Grã-Bretanha, um antigo dirigente da Interpol e diretor de integridade no International Centre for Sports Security citou o ténis como o terceiro desporto mais vulnerável a seguir ao futebol e ao críquete.

O chefe do ATP Chris Kermode está ciente do perigo. Disse que as autoridades o tomam de forma séria e não acredita que seja “endémico” no jogo.

“O desporto fundamentalmente é sobre ser real” disse Kermode no mês passado. “Assim que e não o seja, então é um problema”.

Acesso aos jogadores

O crescimento da transmissão de jogos em direto pela internet via streaming, em conjunto com a vasta natureza de torneios de ténis à volta do mundo, tornaram-no fértil para exploração por aqueles que procuram algum pedaço de formação proveitosa.

Ainda assim, os jogadores continuam a preocupar-se com problema do século 20.

O acesso aos balneários e zonas de descanso, ainda que os organizadores o tentam tentado condicionar nos últimos anos, continua problemático.

“Infelizmente existe um conjunto de possibilidades” disse Djokovic. “Você consegue aceder a muitas áreas ou edifícios ou cantos onde normalmente os atletas se refugiam e falam sobre assuntos muito íntimos, sobre as suas lesões e por aí em diante”.

Bob Bryan (direita) e Mike Bryan depois de baterem Marcel Granollers (ESP) e Marc Lopez (ESP) na final masculina de pares do U.S. Open de 2014 no Centro Nacional de Ténis USTA Billie Jean King USTA Center.(Photo: Robert Deutsch-USA TODAY Sports)

Mike Bryan, parte da equipa de pares n.º 1 do ranking, estima que  25 a 30 por cento dos jogadores foram abordados para viciarem partidas pessoalmente, por correio electrónico ou chamadas telefónicas anónimas.

Diz que nunca teve ninguém solicitando-lhe que promova ou altere um resultado, mas conhece jogadores que tiveram. A sua maior preocupação não são os jogadores de topo mas aqueles que trabalham no limite da solvência

“Quando estás a jogar a um nível de challenge ou num pequeno torneio e são oferecidos 50 mil dólares e tu és um homem em viagem, o que é que tu fazes?” disse.

Os torneios ATP e WTA gabam-se das suas pesadas sanções, iniciativas educativas e politicas de não tolerância em relação à corrupção. Mas é isso suficiente?

Em privado, os dirigentes admitem a falta de recursos para monitorizarem milhares de partidas.

“Esse é o problema com o jogo e os desportos,” disse o Presidente do Conselho do Jogador ATP Eric Butorac. “O dinheiro pelo qual nós estamos a jogar não é suficientemente elevado”

Dispostos a pagar

Tacitamente, as autoridades podem estar a abordar a vulnerabilidade económica.

Num relatório divulgado quarta-feira a Federação Internacional de Ténis (ITF) propôs aumentar os prémios no seu Pro Circuit – o nível mais baixo do ténis profissional e um trampolim para o ATP e WTA tour – até 50%. As bolsas nos eventos do Pro Circuit vão de 10 mil até 100 mil dólares.

Neste estudo, a ITF descobriu que 1% dos jogadores masculinos e femininos de topo ganham mais de 50% de todo o prize money, que em 2013 totalizou 162 milhões de dólares para homens e 120 milhões de dólares para mulheres. A proposta carece de aprovação do órgão executivo da federação que se reúne em março, e produzirá efeitos em 2016.

Em lado algum do relatório existe menção do afecto que isto poderá ter na dissuasão da manipulação de resultados ou outras atividades ilícitas.  Contudo, o porta-voz da ITF, Nick Imison escreveu num email que “melhorar os padrões de vida dos jogadores é um factor entre muitos quando se trata do assunto da integridade.”

“Este pode ser um bom primeiro passo da ITF para tratar deste assunto” disse Ryan Rodenberg, um professor assistente de análise do direito desportivo na Universidade de Florida State que examinou como a disparidade dos pagamentos no ténis pode encorajar os jogadores a procurarem esquemas alternativos para fazerem dinheiro.

Nos anos recentes os jogadores também retiraram aumentos substanciais de prize money dos quarto eventos do Grand Slam, os quais são geridos independentemente. Muito do qual se destina a preencher as primeiras rondas.

Mas a semana passada o ATP anunciou um aumento annual de 14 do prize money nos seus nove torneios Maters 1000 até 2018. Os Masters são os eventos de mais alto nível a seguir aos majors.

Kermode reconhece o problema de disparidade.

“Claramente nós temos de ser capazes de garantir que o tour é onde alguém não perde dinheiro e é sustentável, mas eu quero incentivá-los a ir mais acima,” disse Kermode, que formou um comité para rever os prémios ao nível Challenge, que está um passo atrás do ATP.

Entretanto, o risco persiste. Butorac, um especialista em pares no 20.º lugar do ranking, relembrou a noite em que recebeu uma inusitada chamada telefónica no seu hotel. Prontamente reportada às autoridades

Declinou a dizer onde estava e se a pessoa ofereceu dinheiro ou fez ameaças..

“Eles disseram-me para não falar disso,” disse dos dirigentes da TIU. “É definitivamente uma situação assustadora quando você recebe uma chamada telefónica”

Fonte: USA TODAY

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