PORTUGAL: Apostas desportivas servem para branquear mais de 130 mil milhões

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Jogo ilegal movimenta fatia superior a 80% do total. Lisboa recebe cimeira sobre políticas de integridade no desporto

As notícias têm vindo a tornar-se cada vez mais frequentes e fazem soar os alarmes: o flagelo da manipulação de resultados desportivos em relação com esquemas de apostas ilegais está presente um pouco por toda a parte, afirmou ontem, em Lisboa, Emanuel Medeiros, director na Europa do Centro Internacional para a Segurança no Desporto (ICSS).

“Não tenho, nem nunca tive, uma visão apocalíptica das coisas. Mas há ameaças preocupantes, hoje mais do que nunca visíveis. O que vem a público é a ponta do icebergue. Tem havido desenvolvimentos positivos, mas não há nenhum país nem nenhuma modalidade desportiva que esteja imune”, acrescentou Medeiros na apresentação de uma cimeira que abordará estas e outras questões a 16 e 17 de Março.

O ex-director executivo da Associação das Ligas Europeias de Futebol Profissional frisou ainda que “a parte que fica fora do radar é assustadora”. “O sudeste asiático é um foco de problemas aflitivo, e os riscos aumentaram com as apostas online”, exemplificando com dois números de um estudo sobre o tema conduzido pelo ICSS e pela universidade Sorbonne: o valor bruto estimado das receitas de apostas desportivas a nível mundial ronda os 500 mil milhões de euros por ano, período durante o qual haverá cerca de 140 mil milhões de dólares (132 mil milhões de euros) em capitais branqueados. “É uma lesão patrimonial aos estados e as autoridades não devem esperar que os crimes aconteçam para agir. Pede-se uma acção preventiva”, reforçou.

A Sorbonne e o ICSS delinearam um conjunto abrangente de recomendações para os governos, as organizações desportivas, as autoridades reguladoras do sector das apostas e os operadores de jogo, com o objectivo de harmonizar práticas e salvaguardar a integridade das competições.

A lei que regula o jogo online e as apostas desportivas em Portugal foi aprovada no dia 27 de Fevereiro pelo Conselho de Ministros, e está agora pendente de promulgação pelo Presidente da República. O Orçamento do Estado para 2015 prevê um encaixe de 25 milhões de euros em receitas adicionais com esta iniciativa legislativa. “É um diploma histórico, mas que chega com 15 anos de atraso. Ainda há muito por fazer”, considerou Emanuel Medeiros.

Tráfico de menores
Outro dos temas em que o ICSS vem a trabalhar e que será abordado na cimeira de Lisboa é a integridade financeira e a transparência no desporto. Estarão na capital portuguesa elementos da FIFA e da UEFA mas, embora o ICSS reconheça o mérito de algumas iniciativas destas organizações, considera que é preciso fazer mais. “Respeitamos a autonomia do movimento desportivo, mas ela não é ilimitada. O movimento desportivo não vive acima nem à margem da lei”, sublinhou Emanuel Medeiros. O sistema de licenciamento de clubes da UEFA ou o Transfer Matching System (que organiza as transferências internacionais) da FIFA são “respostas curtas pela jurisdição das organizações”, acrescentou o dirigente português.

Na cimeira de 16 e 17 de Março também serão debatidas formas de protecção para jovens desportistas. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras tem vindo a investigar práticas abusivas relacionadas com a chegada de jovens futebolistas a Portugal. “É um problema sério e dramático que não é novo, há muito que está identificado. Não podemos enterrar a cabeça na areia e fingir que os problemas não existem, trata-se de tráfico de menores”, afirmou Emanuel Medeiros, revelando que o ICSS está a colaborar com o governo português, cabo-verdiano, brasileiro e com a UNESCO para elaborar um guia de boas práticas.

A Cimeira Inter-Regional de Política Desportiva realiza-se no Palácio Foz a 16 e 17 de Março e trará a Lisboa representantes de variados blocos linguísticos (CPLP, Commonwealth, francofonia e países ibero-americanos) para discutir a cooperação internacional no desporto.

O que é o ICSS?
Criado em Doha, no Qatar, em Março de 2011, o Centro Internacional para a Segurança no Desporto (ICSS) faz investigação, formação e consultoria em segurança e integridade de competições desportivas. Na origem deste organismo está Mohammed Hanzab, antigo tenente-coronel das forças armadas do Qatar que também passou pelos serviços de informação. Um homem “visionário e apaixonado pelos valores do desporto”, diz o português Emanuel Medeiros, director na Europa do ICSS. A fortuna pessoal do fundador ajudou a criar o ICSS, que embora seja uma entidade privada tem “60 a 70%” do seu financiamento garantido por fundos públicos, admite Medeiros.

Fonte: Público

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