PORTUGAL: Que futuro para o futebol português?

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No último artigo centrámos atenções sobre os fundos de investimento e prometemos seguir com uma reflexão sobre o mercado das apostas desportivas que, de acordo com as recentes notícias, ameaça a virtude do desporto e começa já a levantar suspeições e investigações no futebol português.

Talvez com a ajuda da onda avassaladora de notícias sobre as investigações a processos de viciação de resultados no velho continente, a Comissão Europeia no passado dia 14 de julho, veio recomendar uma série de princípios que devem ser seguidos pelos Estados-Membros para prevenir a prática compulsiva ou excessiva de jogo, em particular, sobre os jogos de azar online e referir que pretende a adoptação de práticas e leis que protejam “os consumidores, os jogadores e os menores”.

Por cá, a 19 de junho, o Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei que, segundo o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, “abre caminho à legalização das apostas desportivas em Portugal” e o secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, afirmou após a sessão que a regulamentação das apostas online deverá ficar concluída este ano.

No último defeso a Antena 1 noticiou suspeitas de viciação de resultados envolvendo jogadores do Atlético Clube de Portugal. Aquela rádio veiculou a chegada ao clube da Tapadinha de jogadores com antecedentes de envolvimento em resultados viciados, entre eles, um jogador da Serra Leoa que foi suspenso indefinidamente da selecção do seu país por suspeitas de ter ajudado a viciar resultados de 3 jogos quando atuava num clube do Azerbaijão e um guarda-redes letão com uma “longa história de viciação de resultados desportivos”.

Outro caso recente, foi o da realização de um “jogo fantasma” envolvendo o Sport Clube de Freamunde e a equipa espanhola do Ponferradina. Este suposto desafio particular foi colocado em bolsa de apostas mas, segundo declarações de dirigentes dos dois clubes, nunca se realizou, nem tão pouco chegou a ser agendado e está a ser investigado pelas autoridades competentes após ter sido denunciado pela Liga espanhola.

Lá fora não devemos ignorar, por exemplo, os processos já julgados na República Checa, Eslováquia e Turquia, o facto de 87 jogadores da Liga profissional francesa estarem a ser investigados, que a Federação dos Camarões abriu um processo sobre a conduta de 7 dos seus jogadores em jogos do último Mundial e que (voltamos nós à ribalta) um jogador da seleção de sub-19 da Bulgária foi preso por suspeita de manipulação de resultados de vários jogos, entre eles, um contra Portugal em que a nossa seleção venceu por 7-0.

Logicamente não temos a menor dúvida sobre a capacidade e integridade dos jogadores e técnicos lusos envolvidos neste jogo, mas a verdade é que a notícia vem levantar questionamentos que descredibilizam o trabalho por eles desenvolvido e o mérito das suas conquistas.

Ora, é precisamente esta ideia de credibilidade e defesa intransigente de toda e qualquer possibilidade de suspeição que importa reter e promover internamente, refletindo sobre as medidas adoptadas noutros países e campeonatos que já vivem há mais tempo com problemas ligados à adulteração de resultados.

Em Inglaterra, o diretor geral da Football Association (FA) veio recentemente afirmar que a alteração produzida ao regulamento das apostas online tem em vista “as pessoas confiarem no que está a acontecer dentro do campo”. A nova medida implementada alarga a proibição das apostas a qualquer agente desportivo ligado ao futebol, em qualquer atividade relacionada com a modalidade e em qualquer parte do mundo. Antes, esta inibição apenas estava consignada às competições em que participava a equipa representada pelo apostador. Para a FA tudo tem de parecer e estar realmente livre de qualquer possibilidade de vício e nessa medida Alex Horne afirma que “nada pode ser mais simples que enquanto jogador eu não possa apostar em nada que tenha que ver com o futebol” e conclui “já tivemos casos de jogos combinados no nosso país e não queremos ver isso”.

Aquando das últimas notícias sobre os avanços na definição da regulamentação do mercado de apostas desportivas, verificou-se uma unanimidade poucas vezes vista, no seio das entidades responsáveis pela organização do desporto em Portugal. Entre as razões apontadas, claramente, a abertura de uma nova fonte de receitas para os clubes obteve o maior destaque.

Certamente que se exige há muito a necessidade de regulamentar um negócio que existe e deve ter regras. O problema está na definição das prioridades e no que estamos, realmente, a tentar proteger com a implementação das medidas. Ao que parece, mais uma vez, a força da finança ocupa um lugar bem acima da salvaguarda dos direitos dos praticantes e da manutenção dos valores positivos do desporto.

À luz da realidade do nosso país onde os valores dos salários tendem a diminuir e tendo em conta que, nestas condições, segundo um estudo de uma universidade de Londres, os jogadores poderão continuar a constituir um alvo fácil da cobiça do dinheiro facilitado, pensamos ser ainda mais premente a necessidade e o cuidado de regulamentar rapidamente este mercado das apostas desportivas.

No entanto, deve regular-se sim, mas tendo sempre como foco a manutenção da integridade do espectáculo desportivo e a defesa dos atletas sob o ponto de vista humano, com recurso a uma profunda reflexão que faça prevalecer uma conduta ética sobre todos estes novos exercícios do mercado que caminha em paralelo com o Desporto.

A verdade é que, por mais optimistas que sejamos, os indicadores vindos a público vão-nos esbatendo a esperança de lidarmos com um futebol limpo e capaz de nos oferecer muito mais do que apenas um desumanizado negócio.

Neste sentido vamos acreditar que a Comissão Parlamentar encarregue de estudar a nova regulamentação das apostas desportivas, está atenta aos bons e menos bons exemplos que nos chegam de quem se depara com esta crescente e inevitável realidade e que tenha sempre presente nas suas propostas, uma perspetiva que lute acima de tudo pela verdade do espetáculo desportivo e pela integridade seus atores.

Fonte: Record

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